Quando um Mestre da escultura encontra um Gênio da alta costura…

A exposição “Balenciaga, L’oeuvre au noir” foi perfeitamente orquestrada pela Prefeitura de Paris e o Fundo Balenciaga que escolheram como cenário o Museu Bourdelle. Diálogo idealizado entre Bourdelle, o escultor, e Balenciaga, o costureiro.

Bourdelle foi um escultor contemporâneo a Rodin, e como ele artista reconhecido ainda em vida. O museu foi instalado no prédio em que trabalhou depois da sua mudança para Paris em 1885, data em que começou os estudos na Academia de Belas Artes.
Nascido em Montauban, Emile-Antoine Bourdelle abandona os estudos no ano seguinte julgando o ensino muito acadêmico. Ele instala seu Ateliê em Montparnasse e trabalha a procura de seu próprio estilo.

Para se sustentar colabora com Rodin até 1908. À partir desta data ele começa a expor suas esculturas e o sucesso entre críticos e público é imediato.

Entre suas obras mais conhecidas estão o “Héracles arqueiro” (foto acima) , a “cabeça de Apollo” e o Teatro do Champs-Elysées.

Balenciaga é um dos maiores costureiros da história, alquimista da cor preta e gênio das formas “Tonel”, “Balão”, “Túnica” e o vestido “Saco”. Usou contrastes, transparências e oposições de tecidos e materiais diversos como o veludo, tafetá, rendas, tule e mais tarde, os bordados.

De personalidade discreta vestiu as mulheres mais famosas, de atrizes como Marlene Dietrich como a família real da Espanha.
A cor preta vai acompanha-lo toda a sua vida. Muito presente na cultura espanhola e sobretudo nas pinturas de Goya, que ele tanto admirava.
Antes de mudar-se para Paris já era um costureiro reconhecido. Cristóbal Balenciaga nascido na Espanha deixou seu país natal em 1937 em decorrência da Guerra Civil. O sucesso em Paris foi imediato.
Se a chegada de Dior modificou o cenário da Alta Costura em Paris, elle será considerado por todos como o “Grande Mestre”, o “Costureiro entre os Costureiros”.

 

Bourdelle e Balenciaga têm em comum a precisão das formas, o amor dos contrastes, mas sobretudo, cada um em sua arte, desenvolveram um estilo próprio. As obras respectivas se completam neste cenário, a cor branca do mármore e gesso de Bourdelle, e a cor preta do Balenciaga. Os opostos se atraem em um diálogo estético, entre o Mestre dos corpos e o Gênio da costura.

“Balenciaga, L’oeuvre au noir”, http://www.bourdelle.paris.fr